Escrevi-te - porque te sabia!
(mas agora já não te sei mais) Escrevo-te sabendo a forma atenta como vais deslizar o olhar rapidamente nas minhas palavras à procura de rastos de ti no que tenho para gritar ao mundo, nesse gesto todo trapalhão e desajeitado que te pinta. Sabes que te sei – sabes que adivinho cada vez que abres os olhos e ficam do tamanho de ti, porque queres muito algo e não o sabes dizer em palavras. Ficas com o olhar suspenso e vazio à procura de abraços que eventualmente chegam. Suspiras – por conseguires o meu quente sem teres que usar a tua incapacidade de relatar desejos, de narrar histórias de ti, dedicada. Tento encontrar os motivos para esta entrega visível desde a primeira oportunidade – não encontro se não frios na barriga e uma espécie de fuga fácil para um refúgio planeado com os tocares escondidos. Escrevo-nos nas paredes cor de insónias, enquanto citações breves que acabam com os teus: nada fugazes, esses em que te escondes cada vez que é preciso teres mais do que um o...