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A Bíblia nos meus ovários.

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A fé transformada numa massa de destruição. Invadem as vidas que não lhes pertencem ; chocam as Mulheres que a ninguém pertencem.  Todes  na entrada das clinicas.  Todes  na entrada do livre arbítrio. Arrancam da coragem a possiblidade; arrancam do íntimo de cada uma a sua privacidade.  Mãe; Davas uma linda mãe. -  Filhes de Deus; filhes de uma mentira. E nós - filhas de uma sociedade patriarcal. Nunca donas de nós.    O policiamento do corpo; o policiamento, de facto, que nos tenta calar. Hoje desligaram-nos os microfones na tentativa de nos silenciar. A voz é a dada a quem a usa para traumatizar. Chocar. Escrevem a bíblia nos meus ovários. Fazem-nos tatuagens de uma crença. De abortos espontâneos de ignorância. Somos  todes  fetos que fedem imposições. Obrigações. E não há aqui nada de bonito. Uma entrada de uma clinica - terços. Rezas. Gritos.  Mãe; Davas uma linda mãe.  Criadas para reproduzir; para se cal...

No Céu que é meu

Na multiplicidade de se ser múltipla , as mãos não chegam para contar amores. Desamores. Outros amores. Amores. As cores das auras e das almas. As vozes que entoam nas diferentes florestas que construímos no nosso interior. No nosso íntimo. Somos privacidades invadidas e arrancadas de forma brusca. E depois de todo o anonimato - os cartazes, as luzes, o  activismo  e o reconhecimento. Imponho-me. Recomponho-me. Ajeito a saia e retoco o vermelho dos lábios. Preparada para a guerra de amar - desamar. Armada. Desarmada. Soldada de uma paisagem invicta. Dona da minha vida. Quase dona da minha vida.    Não existe coerência nos padrões e sei bem, ai - se sei - sei tão bem que a roupa não combina. Que a cara de criança não demonstra a força e que o corpo de Mulher não chega para me provar. Provar. Autenticar a minha autenticidade. Chegar. Não chego - quando chego? Todas as decisões merecem opiniões alheias. Veias, que rebentam no clímax da vida. Clímax que não chega...