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aves

Inalo cordialmente o pouco ar que me permites respirar; pertencente a outros corpos, a outro sexo, arranco de mim a ilusão de dar mundos – todos os mundos. Desfaço as malas no porto quase berço e entrego-me novamente às inúmeras possibilidades enquanto biliões. Faço de casa, um quarto rasca de um hotel numa cidade às escuras. Encontros marcados com leituras profundas e complexas, encontros não marcados – não , encontros. Corro descalça e fujo da cidade acolhedora de ti – colos distintos de realidades que se uniram, algum dia, por algum motivo. Entretanto vejo que passas – entretanto, lembro-te das oportunidades deixadas no chão de uma rua que nem te lembras qual. Uma qualquer – onde te perdes e te encontras, múltipla, nunca anónima – nunca inteira. (Devias fugir das ruas que nunca te deixaram seres ave.) Levo um cesto velho, com comida podre, vestida com um vestido rasgado e calçada de ti. Levo-me – arrasto-me. Deixo que o corpo tome controlo e para trás fica a consciência e o...