Vou-me perdendo nesse brilho que
me encandeia os motivos que me fazem ser peregrina das emoções. Entrego-te as
palavras como se de roupa se tratasse e sou constelações que te guiam a alma e
te relembram de que não existe nada nesta minha vida que não esteja descoberto
para que me possas ver; nua – tua. Sou-te os sons deste mundo que te vibram no
peito de cada vez que a respiração falha. Insólita e inexplicável oferenda dos
Deuses a quem descobre que nada é mais puro que o amor. Corto-me nestas vedações
que se têm vindo a construir em torno do amor incomum e no meio desta anemia poética,
relato-te a morte anunciada de um futuro que só não acontece por sermos ditados
errantes de pessoas perdidas nesta ideia de natural. Ainda assim – brilho-te no
céu. Ainda assim – remo contra a maré num esforço compensado pela certeza de
ser corajosa num Universo de fracas pessoas empenhadas em beber oceanos, em vez
de os navegar.
Dádivas
Tenho estado atenta a detalhes mais pequenos. Quero aperfeiçoar a minha capacidade de observação. Até o pequeno gesto de fritar batatas para um jantar a dois, me despertou mais poesia no peito. Um gesto simples, bonito (e calórico). O poder estar ali, a dividir uma mesa com as mãos que me têm dado uma segurança bonita. O Efeito Borboleta - que ficou por terminar. Uma luz de cabeceira, e um silêncio profundo que se instaura ali, sempre que o Sol se põe. Surpresas em jardins - rosas, e sandes. Para me fazer feliz, para me mmimar. Superei as minhas antes - capacidades. Tenho mostrado a mim própria metas que antes eram inatingíveis. Um amor que fica - mesmo depois das batatas fritas. Mesmo depois das idas a sítios bonitos, calculáveis. Existem sempre mais gestos de amor. Músicas. Filmes. Cartas para escrever. Também existiu uma partilha que ultrapassa o bonito. O nascimento dos bebés da minha hamster. Dez pequenos tes...
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